terça-feira, 6 de maio de 2008

CAPÍTULO DOIS: TEM QUE TER DISPOSIÇÃO [parte 1]

Tô puta! Hoje é dia da calourada do meu curso, eu toda animada vou chamar meus coleguinhas de moradia para curtirem todas comigo, e cadê?
Sophia foi à Igreja. Gente, nem quando os meus pais me obrigavam eu ia. E se ia, arrumava uma forma de escapar do tedioso sermão.
Já Pin e Lu foram para o shopping. Eles não saem de lá! Ainda bem que seus pais têm dinheiro para bancar tanto consumismo.
O Caju tem uns dois dias não vejo. Se não soubesse que ele anda freqüentando uma tal de caixa d’água na Ufes até ficaria preocupada e ligaria para a polícia. Mas parece que ele arrumou coisas interessantes para fazer por lá. Nem quero saber que coisas são essas. Qualquer uma das hipóteses não seria saudável para uma menina santa, casta e pura como eu. E é verdade isso, não riam.
Já o Léo esse está morto da balada do dia anterior. Esse defunto não levanta antes da 4 da tarde.
Viu, meus amigos me abandonaram! Eu não posso aparecer sozinha na festa que eu literalmente paguei com o suor do meu trabalho! Um dia todo de cabelo destruído, pés moídos e de uma roupa totalmente sem recuperação naquele maldito trote, tudo perdido?? Não sei nem ir na esquina de Jardim da Penha sem em perder completamente!!
Desiludida e chateada, estava preparando uma torrada quando o meu celular toca:
- Nicole? – a pessoa pergunta.
- Oi! – quem é esse ser?
- Nicky, sou eu Quiqui! Estudo com você...
- Claro que eu sei – ufa – Quitéria – ops ela odeia o nome – Oi Quiqui, o que manda?
- E aí vai na calourada como?
- Eu nem sei se vou...
- Com assim? – percebi que ela estava indignada, claro, pelo que eu pude perceber Quitéria é daquelas que não perde uma balada, nem que seja o aniversário de 3 anos do primo pentelho – Você vai sim, e beberemos nossos 50 reais!!
Me animei! Para que preciso desses péssimos amigos daqui se tenho Quiqui? Vou me divertir pacas.
- Quer saber vou sim!
- Ok, passa aí e te busco! Meu namorado vai nos levar e buscar.
- Certo, moro perto da rua da Lama...
Aeeeee! Essa festa promete!!!

[continua...]

domingo, 4 de maio de 2008

CAPÍTULO UM: CIDADE DE AÇO E CONCRETO [parte 4]

- 25,00.
- 30,00 + camisinha usada– disse Rick nervoso, olhando para a carteira.
Disputada assim, lance a lance, estava me achando a última coca- cola do deserto...


- 50,00 reais!!! – ai meu deus. O meu deus grego me comprou por 50,00 reais??? Tenho certeza que esse lance entrará para os anais da história dos leilões de calouras.
Condoleza paraguaia olha para Rick, mas este chuta uma latinha no chão. Rá, tenho certeza que ele não vai conseguir cobrir a aposta.
- Alguém mais??? – ela pergunta. Ninguém se manifesta. – Vendida por 50,00 reais, para o calouro boboca.
Desço feliz e me dirijo até ele. Dou um beijo em seu rosto, sem me importar com a sujeira. Afinal, não é toda vez que alguém te compra por 50,00.
Como era de se esperar, ninguém alcançou meu nível de sucesso. Algumas foram vendidas por míseras moedas, e outras por coisas como guimbas de cigarro.
E eu achando que a sessão tortura havia terminado, tenho uma péssima surpresa.
- Todo mundo pro sinal, não aceito menos que 50,00 por calouro! – gritou a Condoleza paraguaia.
Sinal? Como assim??? Depois de ser leiloada como uma vaca, tudo bem que fui a “vaca premiada” da tarde, ainda tem isso???
-Anda calouraa!! – berrou um veterano no meu ouvido.
Quando dei por mim estava eu no sinal, fedendo mais do que um porco, mendigando alguns centavos. Algumas pessoas que passavam sentiam pena de mim. Outras não perdiam a oportunidade de tirar onda com a minha cara.
- E aí gatinha, bora tomar um banho na minha casa?? – se vocês acham que essa foi a pior é porque não viram as outras.
- Nossa, com um pandeiro desses lá em casa ia ter pagode todo dia!!!
Mereço?? Andei a tarde toda com aquele cheiro insuportável, ouvindo todas as gracinhas possíveis, mas enfim consegui os 50,00. Tanto esforço para financiar a cachaçada alheia!
Para piorar sujei a Bibi todinha. Vou ter que passar o fim de semana todo dando um banho na coitada. E o banheiro...nossa, aquele sim ficou pior do que banheiro público em época de carnaval. Não sei o que jogaram em mim, mas fedia mais do que peixe podre. Pin quase teve um AVC purpurinado quando foi tomar banho. Isso porque ele não percebeu que gastei mais da metade do seu shampoo made in france para tirar os restos mortais do trote. Melhor assim!

[fim do primeiro capítulo]

sábado, 3 de maio de 2008

CAPÍTULO UM: CIDADE DE AÇO E CONCRETO [parte 3]

Farinha, trigo, ovos, muitos ovos. Isso não é uma receita de bolo, são apenas algumas coisinhas que poderiam ser encontradas no meu cabelo. O temido dia do trote chegou!
- Calouro, calouro, ajoelhaaaaaaaaaa – ai meu deus aquela sósia da Condoleza Rice vem em minha direção. – chupa a banana, chupa a banana...
Eca!!! Chupar a banana, isso me parece além de nojento, bem obsceno.
- Vou precisar falar mais uma vez??? – gente ela grita mais que o capitão Nascimento em dia de treinamento. Só falta pedir para eu sair. Na verdade, se ela pedisse eu saia sem pensar duas vezes.
Olho compadecida para o lado, o coitado do morenão, que descobri se chamar Andrey (chique demais né? Nome de galã global), estava sofrendo chupando a bala que já havia passado por mais de 20 bocas masculinas. Ecaaa, apesar de ser bonitão só beijaria a boca dele depois de ter certeza que todos aqueles germes foram eliminados. Ah gente, sou da roça, ainda não estou imune aos germes da cidade grande.
E então chegou a hora que eu mais temia.
- Bora, Bora – Condoleza paraguaia berrou – todas as meninas lado a lado ali em cima. – e ela aponta para o corredor no Restaurante Universitário, RU para os mais íntimos.
Todas nós já estávamos dispostas lado a lado. Os meninos, calouros e veteranos, estavam mais embaixo, no pátio, olhando como cachorrinhos babando pelo frango de padaria. Senti-me um pedaço de carne, meio podre, mas ainda comestível, a julgar pelos olhares alheios.
- Está aberto o leilão de calouras! – ela aponta para a primeira. – Como é seu nome? – ela pergunta à garota, que responde um tímido “Carol”. – Quanto vocês dão pela Carol??? Quanto, quanto...
- 0,10 centavos. – um dos veteranos grita.
- Alguém dá mais?
- 0,10 centavos mais um chiclete mascado – e o nojento arranca a gosma da boca e fica fazendo bolinhas com a mão.
- Vendida para o Bola!!! Vem buscar, é toda sua. Só não vai abusar demais, lembre-se que elas ainda têm de arrecadar no sinal. – e aponta para mim, gelo na hora. – Caloura, qual seu nome?
- N-i-c-o-l-e... – digo gaguejando.
- E ai, quem começa?
- Uma camisinha usada!!! – adivinhem quem foi??? Esse maravilhoso lance só poderia ter saído daquela cabeça pervertida do Rick.
- Humm, boa calouro. Alguém dá mais?
Rezo em silêncio, não posso ser vendida por uma camisinha usada, muito menos para o roceiro metido a playboy. Até que ouço uma voz altiva...
- 1,00 real – sei que não é muito, mas perto de uma camisinha usada é o resgate de um rei.
Vejo que Ricardo ficou mexido. Bem feito, se queria curtir com minha cara o meu super-herói apareceu para me salvar.
- 5,00 – Rick não desiste. E olhando maliciosamente para mim, diz – E é claro que a oferta da camisinha usada está de pé.
- 10,00 – meu herói se manifesta.
- 20,00 + camisinha usada.
- 25,00.
- 30,00 + camisinha usada– disse Rick nervoso, olhando para a carteira.
Disputada assim, lance a lance, estava me achando a última coca- cola do deserto...

[continua...]

quinta-feira, 1 de maio de 2008

CAPITULO UM: CIDADE DE AÇO E CONCRETO [parte 2]

Respiro fundo. Primeiro dia de aula.
Acordo ansiosa, como serão meus novos colegas? Ai meu deus, será que o trote é hoje? Tenho calafrios só de pensar. Ouvi dizer que eles colocam as meninas para desfilar de biquíni, com um monte de garotos, que dão lances por elas. Isso me recorda muito os leilões de vacas que têm em Alterosa. Que mico!
Acho que esse mico só não iria superar ao que passei em minha primeira comunhão.

Mini Flashback
Estava tão nervosa, com tanto medo de fazer algo errado, que fiz. Na hora de receber a hóstia a deixei cair da minha boca. Também né, por que o padre tem que colocar aquele troço? Não seria mais prático nos entregar? Mas não, ele estava pedindo. Abaixei para pegá-la, e quando levantei bati a cabeça na taça e derrubei todo o vinho na batina do padre. Até hoje mamãe tem vergonha de aparecer na igreja, apesar de acreditar que isso é só uma desculpa que ela usa para não ir às missas.
Fim do Mini Flashback


Chego na universidade já estressada, que trânsito infernal! Bibi, meu fusca rosa (‘presente’ por ter passado na federal), também não ajudou muito. Ô medo daquela coisa parar de funcionar em plena Fernando Ferrari, imagina, ia ser linchada por essa gente. O que eles precisam é de um bom rio pra pescar e relaxar.
Depois de estacionar Bibi vou a procura de minha sala. Demorou um pouco, mas após seguir o fluxo, enfim encontrei. Confesso que esperava mais, já que Direito é um curso, digamos, privilegiado. Mas tudo bem, ainda assim é a federal.
Assim que entrei na sala fiquei em pânico. Como se faz amigos mesmo??? Sentei na primeira cadeira vazia que avistei, ao lado de uma menina que lixava freneticamente suas unhas. Mas logo vi algo muito mais interessante. Moreno alto, bonito e sensual, talvez eu seja a solução do seu problema, carinhoso, com nível social... Sim, essa música descrevia perfeitamente aquele Deus Grego que estava logo atrás. Não preciso nem dizer que mudei rapidamente de lugar né?
Ainda estava admirando aquilo tudo quando ouço alguém me chamando.
-Nickyzinhaaa.
Antes mesmo de me virar já havia reconhecido a voz daquele ser repugnante. Ricardo, vindo das profundezas de Alterosa. Nem me lembrava que esse traste iria estudar comigo. E se lembrasse, faria questão de esquecer, do mesmo jeito que me esqueci daquele dia...

Mini Flashback
Estava em mais uma aula entediante da sexta série quando tive a infeliz idéia de fazer uma confissão a Lu, passando o seguinte bilhetinho:
*Lu, tô gamada de paixão pelo Rick. Será que ele me dá bola??*
Porém, na hora em que eu ia passar o bilhete para Lu, a mal comida da professora Zélia (nunca esquecerei esse maldito nome) olha em minha direção.
- O que é isso em sua mão? – ela me perguntou.
- Nada – respondi roxa de vergonha e tentando esconder de todas as formas aquele papel, sem sucesso.
Então ela veio em minha direção, tomou o bilhete de minhas mãos e começou a ler em voz alta. Nem cheguei a ouvir. Saí correndo na mesma hora. Nunca fiquei tanto tempo dentro do banheiro da escola. Se bem que tem aquela vez do cigarro...mas isso fica para a próxima história.
Fim do Mini Flashback


- Nicole, avoada como sempre. Parece que o ar da civilização não sortiu efeito em você.
Respiro fundo. Rick estava pedindo uma resposta à altura, mas me seguro para não dar mancada na frente do morenão bonitão.
- Ah, Nicky vamos lá. Não vai cumprimentar seu conterrâneo?
- Oi Ricardo.
- Ah, Nicky, você pode fazer melhor. Não é assim que se fala com uma antiga paixonite – ele disse da forma mais arrogante, como só ele sabe fazer. Corei de vergonha.
- Seu... seu... – comecei a balbuciar, já quase explodindo de tanta raiva. Mas graças a deus a professora entrou na sala e começou a aula.
Fui salva pelo gongo. Ou melhor, pela professora de Introdução ao Direito.

[continua...]

terça-feira, 29 de abril de 2008

CAPÍTULO UM: CIDADE DE AÇO E CONCRETO [parte 1]

É, dia de mudança é foda! Estou eu aqui, tentando arrumar minhas coisas no meio de toda a zona que se instaurou. Estamos aqui não tem nem duas horas e já tem bagunça para um mês inteiro.
- Cadê minha mala rosaaaaa??? – está todo mundo histérico nessa casa, é uma mala pra lá, uma bolsa pra cá. Acho que o único nem aí é o Caju, que não se levantou nem para tirar suas coisas do carro.
Pin, apelido carinhoso de Malcon Jackysom (por incrível que pareça, a mãe dele queria homenagear o Michel Jackson, e saiu essa bizarrice), estava se descabelando pois sua mala rosa não aparecia.
- Ei Pin, não é aquela ali não? – todos nós olhamos na direção em que Sophia aponta.
- Minha mala, meus perfumes franceses. Oh my god, minha chapinhaaaaaaaaaa!!!
E chorando de um jeito dramático que só Pin e a Talita do BBB 8 conseguem, ele vai até sua preciosa mala, que se encontrava em baixo do bumbum preguiçoso de Caju.
- Por que esse escândalo? Só tava dando uma descansadinha... e nem peidei muito, só foi uma vez...
- Tadinha da minha mala... vou ter de desinfetar minhas roupinhas antes que o cheiro de podridão se impregne...
- Não é pra tanto Pin. Vamos lá galera, quero sair ainda hoje... – falei tentando amenizar a situação.
- Nicky quem vai dormir com quem?
Por que sempre deixam as questões mais difíceis para mim??? Será que não percebem que já é tão difícil ser eu? Não me interpretem mal, é apenas uma triste constatação, e não uma síndrome de ‘emozisse’ aguda.
- Só sei de uma coisa, com o peidoreiro não durmo! Nem meus sais aromáticos dão conta de tanto fedor. – Pin começa.
- E eu não durmo com você, Pin, nada contra, mas pretendo pegar uns brotos da cidade e ter um... ah você entende né? – percebeu que isso vai dar uma tremenda confusão, não? Eu vou esperar todo mundo falar e só então me manifesto.
- Por mim tanto faz...
- Para você sempre tudo tanto faz, né? Sophia você tem que ser mais voluntariosa, menos sonsa. – estava demorando para a Lu começar a implicar com a Sophia.
- Gente, que tal um sorteio? – sugeri.
- Mas e se eu sair com algum menino, papai não permite que durma com um. Nem sei como ele aceitou que eu morasse com um monte.
- No caso você só corre o risco com dois... da sua fruta eu não como, amiga. – Pin tenta, mesmo que desajeitadamente, aliviar a situação.
- E se for assim: Eu com Sophia, Léo com Caju e Pin com a Lu? Acho que é a melhor forma de se ajeitar. – opino.
Todos balançaram a cabeça em concordância, para meu alívio.
E por mais umas duas horas ficamos organizando nosso novo lar. Organizando em partes. Caju e Leo jogaram as malas de qualquer jeito num canto. Eu me dei o trabalho ao menos de abrir as malas e colocar umas roupas no armário. Minha companheira de quarto foi um pouco além disso, pôs tudo em ordem. Mas nada se compara a arrumação de Lu e Pin. Eles arrumaram tudo detalhadamente, chegando Pin a dispor suas camisas por cor, em degradê.

[continua...]

segunda-feira, 28 de abril de 2008

As Desaventuras de Nicky



Nicole Schubert é uma adolescente normal, normal até onde uma garota de 17 anos consegue ser. Sua vida a partir desse ano dará uma guinada. Nicky, como é conhecida, passou na federal. Sim, ela será a mais nova futura advogada do país, pelo menos é essa a pretensão.
Várias mudanças estão a caminho. Sua pacata vidinha de interior acabou. Afinal, Alterosa do Sul não é nem de longe parecida com a Metrópole.
Ela não estará nessa empreitada sozinha. Lu, Sophia, Pin, Léo e Caju, seus amigos de infância, também irão encarar essa aventura na “grande” selva de concreto.


Aguardem...