domingo, 8 de junho de 2008

CAPÍTULO SEIS: ARRASAAAAAAA!!! [parte 1]


the pussy cat dolls - Don´t Cha

Nossa, essa foi uma das noites mais loucas da minha vida!
Quando Pin me ligou falando da tal boate, que ele ia sempre que dava, fiquei assim meio com o pé atrás. Uma vez que aquela não era uma boate normal, era simplesmente a CHICA CHICLETE, a boate gay mais... gay da cidade. Não me entendam mal, nunca tive preconceito com gays, lésbicas e simpatizantes. Porém, isso não quer dizer que eu não goste da fruta (entenda fruta como homem por favor). E não seria numa boate gay que eu ia encontrar a metade que eu queria. Até porque essa metade já encontrei.
Mas como os outros convites para sair não foram nem de longe empolgantes (para falar a verdade, fora essa da boate gay, só fui chamada pela Sophia para ir a uma festinha da igreja, que convenhamos, não é uma festa tão esperada) decidi embarcar em mais uma canoa furada com Pin, e Lu, que sempre arrasta seu namorado junto. Essa menina é louca, vê se num mundo como o de hoje, onde homem hetero é mercadoria cada vez mais rara, iria dar tanta chance ao azar, não é mesmo?. Tudo isso porque como sempre Andrey deu uma desculpa que tinha de visitar a avó, ou o avô, não entendi direito,
Tentamos arrastar Sophia também, mas depois do micasso passado no bar, ela tenta pagar todos os seus pecados indo todos os dias na igreja.
Bom, chegando na boate, fui logo avaliando o ambiente. É idêntica a qualquer outra boate, em tudo mesmo, tirando é claro as pessoas em volta.
-Foda, não?! – diz Pin se remexendo ao som de Pussy Cat Dolls – vem, vamos ali, avistei umas amigas minhas, as piriguetes.
Enquanto ia literalmente puxada por Pin, olho bem pras suas “amigas”.

[continua...]

quinta-feira, 5 de junho de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 5]

Reginaldo Rossi - Garçom



Visualizem a seguinte cena: uma menina que aparentemente é pura, santa e casta (não estou falando de mim, não agora) em cima da mesa de um bar lotado, com uma garrafa de vinho na mão e cantando Garçom, sim, aquela música do Reginaldo Rossi, mas que só estava tocando em sua cabeça. Bizarro né? Agora visualizem a Sophia fazendo isso. Bizarro ao cubo.
-Saibaaaa que o meu grande amorrr hoje vai se casaaar...
-Sophia desce já daí - tentei, sem sucesso, dar um jeito na situação ridícula.
-Aaaah Nicky, me deixaaaa - gritava ela
-Tá todo mundo olhando para a gente – eu insistia.
-Podem olhar, não tira pedaço.
Como diria Pin, se estivesse sóbrio também, Santa Madonna!! Que vinho é esse?? Deixou a coitada pior do que eu na fatídica calourada. Se bem que...não, não vamos exagerar né.
-E pra matar a tristeza só mesaaaa de barrr...
-Sai daí chifrudaaa – disse uma mulher que estava na mesa ao lado.
-Volta pro mar oferenda – gritou um cara que passava na rua.
-Agora chega Sophia. Desce! - finalmente Léo decidiu pôr ordem no galinheiro. Pegou Sophia pela cintura e a colocou no chão.
-Vamos para casa porque isso aqui já deu o que tinha de dar – disse Caju, tentando disfarçar, mas estava adorando a situação.
Pagamos a conta e fomos direto para casa. Enquanto Sophia vomitava até a alma, Pin dava seus ataques histéricos de nojo, Caju dormia debruçado na mesa e Léo contava o ocorrido para Lu. Nickyzinha aqui, como sempre, se absteve e foi para o quarto assistir filme. Afinal, quem sou eu para falar do porre alheio!

[fim do quinto capítulo]

terça-feira, 3 de junho de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 4]

-Sophia, você precisa relaxar. Ficar se enchendo de sorvete com essa trilha sonora nada agradável só vai te deixar deprê e com alguns quilinhos a mais. Você vai sair com a galera hoje e não aceito desculpas.
-Não sei Nicky...
-Já disse, você vai e pronto! - nada autoritária né?
Aquela menina vive enfiada em casa. Quando não está estudando, está naquele computador. Agora entendo o motivo de horas a fio na internet...
Depois de muito insistir consegui tirá-la da cama. Fomos eu, ela, Pin, Léo e Caju para um barzinho aqui mesmo em Jardim da Penha. Logo que chegou, Pin pediu uma espanhola. Calma, mentes impuras. A espanhola que estou falando é uma batida de vinho, leite condensado, abacaxi e gelo picado. Alguns colocam creme de leite também. Eu, Léo e caju ficamos na cerveja mesmo. Como diz Léo, batida é coisa de fruta. Já Sophia, se contentava com um copinho sem graça de guaraná. Cerveja vai, fruta vem...
-Sophia, vai ficar nesse guaranazinho? - disse Pin, meio tonto de tanto beber fruta adulterada.
-Não estou acostumada a beber – não sabe o que está perdendo né não pinguçada?
-Ah Sophia, um golinho não vai fazer mal – encoraja Léo.
-Isso mesmo, além do mais beber cura dor de corno - putz, que comentário mais infeliz esse do Caju. Já disse para vocês que Léo e Caju são dois espíritos de porco? Pois é, eles são. Tanto encheram a pobre da Sophia que, como por um milagre, a convenceram de enfiar o pé na jaca.
-Já que não vou poder ter meus 4 filhos e morar na casa azul, me dá isso aqui – e Sophia tomou o copo das mãos de Pin, que a essa altura havia abandonado a batida e estava bebendo apenas vinho.
Nunca imaginei ver essa cena. Sophia bebia como se fosse água. Parecia estar possuída por Dionísio. Isso porque não estava acostumada a beber né? Sempre soube que essas meninas que fazem o estilo “santinha” são as piores.
Preciso dizer que isso não prestou?

[continua...]

domingo, 1 de junho de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 3]

-Não, você que foi para cima dele?
-Sim, mas não me entenda mal. Eu pedi antes. Na verdade, implorei mas...
-Você pediu um beijo? Implorou??
Santo Picasso! Me colore que eu tô bege!!!
-Sim, pedi. E quanto mais eu pedia, mais ele recuava. Porém, depois de eu insistir tanto ele concordou. Lembro... - nisso ela começou a chorar alto, soluçando - Lembro que fechei meus olhos e fiquei esperando, com a boca prontinha para receber o primeiro beijo do pai dos meus filhos. Mas uma menina nos interrompeu, me empurrando e gritando que era a namorada dele.
-E ele, o que fez?
-Ele disse para a namorada que eu era uma louca, uma coitada que estava pedindo beijos para qualquer um que passava. E ela acreditou nele. Os dois saíram rindo de mim e eu fiquei lá, igual um cachorro que caiu do caminhão de mudança. Abandonada, rejeitada e traída. Ah Nicky, quero morrer...
Não sabia o que falar. Era novidade demais para um só dia. Processar que Sophia, a beata mais casta, pelo menos aparentemente, estava planejando casamento, filhos, casa, cortinas, cachorro, conhecer o ser... E pior, quando conhece, implora por um beijo e passa de namorada virtual à amante em potencial.
Tenho que fazer algo. Mas só depois de uns minutos. Preciso processar toda essa informação.

[continua...]

sábado, 31 de maio de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 2]

Oh my god! Música emo-brega, à lá Fresno, na maior altura. Sophia deitada na cama, com um pote de sorvete de chocolate semi-devorado no colo, praticamente uma Bridget Jones sem problemas de peso. É, a coisa está séria!
-Sophia, o que aconteceu? - sei que não estamos muito bem, mas ela é minha amiga, oras.
-Ah Nicky! Eu e o Carlos terminamos.
-Carlos? Quem é Carlos?? - peraí, acho que perdi alguma coisa.
-O meu namorado, o das cartas e e-mails.
-Ah sim. Mas vocês namoravam sem...você sabe, sem contato físico? Quer dizer, sem se verem pessoalmente? Porque foi isso que eu entendi..
Essa coisa de namoro virtual não entra na minha cabeça. Para mim, namoro é feito de trocas, de carinho, companheirismo e até mesmo de saliva, é óbvio!
-Claro que estávamos. Já tínhamos decidido ter 4 filhos. Leandro e Leonardo seriam os gêmeos, mais velhos. Depois viriam a Loraine e a Lorena. Elas teriam pouca diferença de idade. Moraríamos numa casa azul, com cortinas rendadas e um dálmata no quintal...
Pára tudo! Tenho uma amiga psicopata! Como assim? Já planejou as cortinas com alguém que nem pegou ainda? Ela é mais estranha do que um dia jamais pensei em imaginar.
-Mas Sophia, as coisas acontecem naturalmente...
-Eu sei, mas estava tão apaixonada. E sei lá, quando nos encontramos foi estranho. Quando fomos conversar, fui dar um beijo nele, o tão esperado beijo e...

[continua...]


Trailer de O Diário de Bridget Jones



sexta-feira, 30 de maio de 2008

CAPÍTULO CINCO - RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 1]

Depois daquele pesadelo que passei em Alterosa no feriadão, só mesmo uma tardezinha com Andrey, meu morenão bonitão, para relaxar. E onde fomos? No cinema, lógico. Isso não é um típico programa de namorados apaixonados??
-Qual filme você quer ver Nicky? - ele não é um fofo?
-Vamos ver O Melhor Amigo da Noiva?
Mesmo não parecendo muito satisfeito, ele aceitou. Claro, ele me ama! Ok, ok, estou demais hoje, mas é muita felicidade para esse pequeno coraçãozinho.
O cinema não estava cheio. Melho assim! Menor a probabilidade de ter alguém lá de Alterosa vigiando e empatando a minha vida. Enquanto matava a saudade do meu gato ouço alguém gritar meu nome.
-Nicoleeee - conheço essa voz - Você sumiu mulher! Desde a calourada que não te vejo...
-Quitéria? - sim, eu a reconheci, só não reconheci o broto que estava de mãos dadas com ela. Até onde eu sei, ou melhor, sabia, Quiqui estava namorando, mas não com ele...
-Nicky, esse é o Marcelo. Ele está revezando com o Pedro.
Acho que pela minha expressão ela percebeu que eu não tinha entendido a situação.
-Isso mesmo amiga. Nunca ouviu falar em relacionamento aberto? Viva o século XXI!!
-Mas o Pedro sabe? - perguntei, incrédula.
-Claro que sabe. E também usufrui dos benefícios.
-Então tá - meu Deus, ela é moderna demais para uma menina pura e casta como eu!! Já disse, não riam, é apenas a verdade.
Enquanto me refazia do choque, as luzes do cinema apagaram e a pegação começou. Quiqui quase engoliu o Pedro, que estava do meu lado. Eu e Andrey não perdemos tempo. Claro que fui mais contida do que o casal desentupidor ao lado. Mas confesso que me recordo vagamente do filme em questão. Vocês não sabem o que é ficar 5 dias longe de um namorado TDB+1P como o meu. Homem como ele está em falta no mercado. Ou já foi consumido ou está na prateleira destinada ao público pink, se é que vocês me entendem...
Depois do cinema, Quiqui e Pedro deram uma esticada sabe Deus para onde. Andrey e eu não pudemos acompanhar, já que ele tinha que ir trabalhar. Afinal, meu moreno é responsável, o genro que mamãe pediu!!
Linda, ruiva e modesta, cheguei em casa. Ao me aproximar do meu quarto, eufórica com minha tarde mara, como diria Pin, me deparo com uma cena broxante, digna de um dramalhão mexicano...

[continua...]

terça-feira, 27 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 4]

-Amor é? - é impressão minha ou ouvi um risinho sarcástico do Rick...
-Léo, depois falo com você!
-Ah, ela tem que ir embora para não me agarrar. Sou mesmo irresistível.
-Ai, ai Tigrão - zoa Léo, enquanto eu, perplexa, tento pensar em algo a altura para responder.
-Meu filho, não se dê tanta importância. E Léo, não se iluda muito não porque isso está mais para gatinho manhoso do que para Tigrão!!
-Mas há quem morra de amores pelo "gatinho" aqui.
Aff, nunca conheci alguém que se achasse tanto a última coca-cola do deserto quanto o Rick.
-Ah garoto, me erra! Olha o tipo de garota que gosta de você.
-Modéstia a parte, são todos os tipos. Você sabe bem o que é isso, não?
Meu passado me condena. Argh! Porque tive de ter tanto mal gosto quando mais nova?
-Pelo menos recuperei minha sanidade, e agora sei o que é bom...
-Seu namoradinho né? Nossa, quanta sorte você tem...
-Tenho mesmo. Não entendi a sua ironia.
-Aproveite que tá de graça!
Do que ele está falando? O idiota não tem nada para falar e fica inventando bobeiras.
-Quer saber? Você me cansa. Você e esse seu gelzinho brega no cabelo.
-Mas confessa que você adora...
Do nada ele me agarra e começa a gritar:
-Me solta Nicky. Seu namorado não vai gostar disso. E ele é tão fiel. Ah Nicky...
Nem preciso dizer que estava estourando de raiva né? O idiota me agarrava e eu que ficava com fama de tarada?! Só depois de segundos intermináveis de espetáculo ele me soltou, caindo na risada.
-Seu..Seu... - não conseguia nem falar de tanta raiva.
-Seu cara lindo, gostoso e irresistível! Ah Nicky, não precisa falar...
-Não! Seu pervertido...
-Meu amor, fica tranquila. Poderíamos conversar com o Andrey e assumir o nosso amor.
-Pára de brincadeira idiota! Olha o mico que pagamos. O que vão pensar...
-Ah Nicky, relaxa! Estava só implicando com você.
-Quando for implicar com alguém, faça com sua mãe.
E saí, mas não sem antes complementar:
-E não se compare com o Andrey porque vai perder de lavada.
E depois fui para a casa. Acho que Alterosa já tem assunto para falar de mim até minha próxima "visita".
[fim do quarto capítulo.]