terça-feira, 3 de junho de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 4]

-Sophia, você precisa relaxar. Ficar se enchendo de sorvete com essa trilha sonora nada agradável só vai te deixar deprê e com alguns quilinhos a mais. Você vai sair com a galera hoje e não aceito desculpas.
-Não sei Nicky...
-Já disse, você vai e pronto! - nada autoritária né?
Aquela menina vive enfiada em casa. Quando não está estudando, está naquele computador. Agora entendo o motivo de horas a fio na internet...
Depois de muito insistir consegui tirá-la da cama. Fomos eu, ela, Pin, Léo e Caju para um barzinho aqui mesmo em Jardim da Penha. Logo que chegou, Pin pediu uma espanhola. Calma, mentes impuras. A espanhola que estou falando é uma batida de vinho, leite condensado, abacaxi e gelo picado. Alguns colocam creme de leite também. Eu, Léo e caju ficamos na cerveja mesmo. Como diz Léo, batida é coisa de fruta. Já Sophia, se contentava com um copinho sem graça de guaraná. Cerveja vai, fruta vem...
-Sophia, vai ficar nesse guaranazinho? - disse Pin, meio tonto de tanto beber fruta adulterada.
-Não estou acostumada a beber – não sabe o que está perdendo né não pinguçada?
-Ah Sophia, um golinho não vai fazer mal – encoraja Léo.
-Isso mesmo, além do mais beber cura dor de corno - putz, que comentário mais infeliz esse do Caju. Já disse para vocês que Léo e Caju são dois espíritos de porco? Pois é, eles são. Tanto encheram a pobre da Sophia que, como por um milagre, a convenceram de enfiar o pé na jaca.
-Já que não vou poder ter meus 4 filhos e morar na casa azul, me dá isso aqui – e Sophia tomou o copo das mãos de Pin, que a essa altura havia abandonado a batida e estava bebendo apenas vinho.
Nunca imaginei ver essa cena. Sophia bebia como se fosse água. Parecia estar possuída por Dionísio. Isso porque não estava acostumada a beber né? Sempre soube que essas meninas que fazem o estilo “santinha” são as piores.
Preciso dizer que isso não prestou?

[continua...]

domingo, 1 de junho de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 3]

-Não, você que foi para cima dele?
-Sim, mas não me entenda mal. Eu pedi antes. Na verdade, implorei mas...
-Você pediu um beijo? Implorou??
Santo Picasso! Me colore que eu tô bege!!!
-Sim, pedi. E quanto mais eu pedia, mais ele recuava. Porém, depois de eu insistir tanto ele concordou. Lembro... - nisso ela começou a chorar alto, soluçando - Lembro que fechei meus olhos e fiquei esperando, com a boca prontinha para receber o primeiro beijo do pai dos meus filhos. Mas uma menina nos interrompeu, me empurrando e gritando que era a namorada dele.
-E ele, o que fez?
-Ele disse para a namorada que eu era uma louca, uma coitada que estava pedindo beijos para qualquer um que passava. E ela acreditou nele. Os dois saíram rindo de mim e eu fiquei lá, igual um cachorro que caiu do caminhão de mudança. Abandonada, rejeitada e traída. Ah Nicky, quero morrer...
Não sabia o que falar. Era novidade demais para um só dia. Processar que Sophia, a beata mais casta, pelo menos aparentemente, estava planejando casamento, filhos, casa, cortinas, cachorro, conhecer o ser... E pior, quando conhece, implora por um beijo e passa de namorada virtual à amante em potencial.
Tenho que fazer algo. Mas só depois de uns minutos. Preciso processar toda essa informação.

[continua...]

sábado, 31 de maio de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 2]

Oh my god! Música emo-brega, à lá Fresno, na maior altura. Sophia deitada na cama, com um pote de sorvete de chocolate semi-devorado no colo, praticamente uma Bridget Jones sem problemas de peso. É, a coisa está séria!
-Sophia, o que aconteceu? - sei que não estamos muito bem, mas ela é minha amiga, oras.
-Ah Nicky! Eu e o Carlos terminamos.
-Carlos? Quem é Carlos?? - peraí, acho que perdi alguma coisa.
-O meu namorado, o das cartas e e-mails.
-Ah sim. Mas vocês namoravam sem...você sabe, sem contato físico? Quer dizer, sem se verem pessoalmente? Porque foi isso que eu entendi..
Essa coisa de namoro virtual não entra na minha cabeça. Para mim, namoro é feito de trocas, de carinho, companheirismo e até mesmo de saliva, é óbvio!
-Claro que estávamos. Já tínhamos decidido ter 4 filhos. Leandro e Leonardo seriam os gêmeos, mais velhos. Depois viriam a Loraine e a Lorena. Elas teriam pouca diferença de idade. Moraríamos numa casa azul, com cortinas rendadas e um dálmata no quintal...
Pára tudo! Tenho uma amiga psicopata! Como assim? Já planejou as cortinas com alguém que nem pegou ainda? Ela é mais estranha do que um dia jamais pensei em imaginar.
-Mas Sophia, as coisas acontecem naturalmente...
-Eu sei, mas estava tão apaixonada. E sei lá, quando nos encontramos foi estranho. Quando fomos conversar, fui dar um beijo nele, o tão esperado beijo e...

[continua...]


Trailer de O Diário de Bridget Jones



sexta-feira, 30 de maio de 2008

CAPÍTULO CINCO - RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 1]

Depois daquele pesadelo que passei em Alterosa no feriadão, só mesmo uma tardezinha com Andrey, meu morenão bonitão, para relaxar. E onde fomos? No cinema, lógico. Isso não é um típico programa de namorados apaixonados??
-Qual filme você quer ver Nicky? - ele não é um fofo?
-Vamos ver O Melhor Amigo da Noiva?
Mesmo não parecendo muito satisfeito, ele aceitou. Claro, ele me ama! Ok, ok, estou demais hoje, mas é muita felicidade para esse pequeno coraçãozinho.
O cinema não estava cheio. Melho assim! Menor a probabilidade de ter alguém lá de Alterosa vigiando e empatando a minha vida. Enquanto matava a saudade do meu gato ouço alguém gritar meu nome.
-Nicoleeee - conheço essa voz - Você sumiu mulher! Desde a calourada que não te vejo...
-Quitéria? - sim, eu a reconheci, só não reconheci o broto que estava de mãos dadas com ela. Até onde eu sei, ou melhor, sabia, Quiqui estava namorando, mas não com ele...
-Nicky, esse é o Marcelo. Ele está revezando com o Pedro.
Acho que pela minha expressão ela percebeu que eu não tinha entendido a situação.
-Isso mesmo amiga. Nunca ouviu falar em relacionamento aberto? Viva o século XXI!!
-Mas o Pedro sabe? - perguntei, incrédula.
-Claro que sabe. E também usufrui dos benefícios.
-Então tá - meu Deus, ela é moderna demais para uma menina pura e casta como eu!! Já disse, não riam, é apenas a verdade.
Enquanto me refazia do choque, as luzes do cinema apagaram e a pegação começou. Quiqui quase engoliu o Pedro, que estava do meu lado. Eu e Andrey não perdemos tempo. Claro que fui mais contida do que o casal desentupidor ao lado. Mas confesso que me recordo vagamente do filme em questão. Vocês não sabem o que é ficar 5 dias longe de um namorado TDB+1P como o meu. Homem como ele está em falta no mercado. Ou já foi consumido ou está na prateleira destinada ao público pink, se é que vocês me entendem...
Depois do cinema, Quiqui e Pedro deram uma esticada sabe Deus para onde. Andrey e eu não pudemos acompanhar, já que ele tinha que ir trabalhar. Afinal, meu moreno é responsável, o genro que mamãe pediu!!
Linda, ruiva e modesta, cheguei em casa. Ao me aproximar do meu quarto, eufórica com minha tarde mara, como diria Pin, me deparo com uma cena broxante, digna de um dramalhão mexicano...

[continua...]

terça-feira, 27 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 4]

-Amor é? - é impressão minha ou ouvi um risinho sarcástico do Rick...
-Léo, depois falo com você!
-Ah, ela tem que ir embora para não me agarrar. Sou mesmo irresistível.
-Ai, ai Tigrão - zoa Léo, enquanto eu, perplexa, tento pensar em algo a altura para responder.
-Meu filho, não se dê tanta importância. E Léo, não se iluda muito não porque isso está mais para gatinho manhoso do que para Tigrão!!
-Mas há quem morra de amores pelo "gatinho" aqui.
Aff, nunca conheci alguém que se achasse tanto a última coca-cola do deserto quanto o Rick.
-Ah garoto, me erra! Olha o tipo de garota que gosta de você.
-Modéstia a parte, são todos os tipos. Você sabe bem o que é isso, não?
Meu passado me condena. Argh! Porque tive de ter tanto mal gosto quando mais nova?
-Pelo menos recuperei minha sanidade, e agora sei o que é bom...
-Seu namoradinho né? Nossa, quanta sorte você tem...
-Tenho mesmo. Não entendi a sua ironia.
-Aproveite que tá de graça!
Do que ele está falando? O idiota não tem nada para falar e fica inventando bobeiras.
-Quer saber? Você me cansa. Você e esse seu gelzinho brega no cabelo.
-Mas confessa que você adora...
Do nada ele me agarra e começa a gritar:
-Me solta Nicky. Seu namorado não vai gostar disso. E ele é tão fiel. Ah Nicky...
Nem preciso dizer que estava estourando de raiva né? O idiota me agarrava e eu que ficava com fama de tarada?! Só depois de segundos intermináveis de espetáculo ele me soltou, caindo na risada.
-Seu..Seu... - não conseguia nem falar de tanta raiva.
-Seu cara lindo, gostoso e irresistível! Ah Nicky, não precisa falar...
-Não! Seu pervertido...
-Meu amor, fica tranquila. Poderíamos conversar com o Andrey e assumir o nosso amor.
-Pára de brincadeira idiota! Olha o mico que pagamos. O que vão pensar...
-Ah Nicky, relaxa! Estava só implicando com você.
-Quando for implicar com alguém, faça com sua mãe.
E saí, mas não sem antes complementar:
-E não se compare com o Andrey porque vai perder de lavada.
E depois fui para a casa. Acho que Alterosa já tem assunto para falar de mim até minha próxima "visita".
[fim do quarto capítulo.]

domingo, 25 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 3]

Bom, não deu outra. Chegamos na maldita pracinha e vi as pessoas de sempre. E quer saber, foi até legal!
Tinha um tempão que eu não via a Ju, a Val, o Duda, a Nice, o Écio (um antigo peguete meu, como diria a famosa comunidade do orkut ahhh se essa pracinha falasse).
Devaneios a parte, agora que sou uma menina da cidade fico tentada a pedir uma skol gelada, como fazemos no bar do mãozinha todas as sextas, mas ao olhar para meus velhos conhecidos e pro seu Jão Birita, dono do bar mais "in" e único da pracinha, perco a coragem. Afinal, o cara me viu crescer, sempre pedia um chiclete da barbie para guardar as figurinhas, não podia chegar agora e pedir uma "gelada"!
- Écio, você sabia que a Nicky está de namorado na cidade grande?! - a bocuda da Brenda está encalhada mesmo, poxa, precisa contar minha vida amorosa para todos daqui!?
- Sério Nicky, e quem é o sortudo? Espero que esse tenha mais sorte que eu. - aí vem ele agora com esse recentimento ultrapassado, jogar toda a sua amargura em mim. Só porque terminei com ele na frente de todos, no meio da dancinha de festa junina. Quanto rancor uma pessoa pode guardar em apenas um coração...
- E como é ele Nicky? - bom, essas garotas estão afim mesmo de saber da minha vida, não é?! Então vamos lá...
- Bom, ele é um gato! Moreno, alto, bonito e sensual... igualzinho aquela música.
- Então ele é solução de todos os seus problemas?! - Val pergunta risonha.
Ah, a Valéria! Gente, tenho de contar a triste história dela. Menina inteligente ela, passou em todas as federais possíveis pra Medicina, até na USP, e não te conto porque ela acabou na Faculdade Alterosa do Sul, no curso de enfermagem. Ah eu vou contar, tenho que dividir minha indignação. Val ficou na cidade, na faculdade meia boca, porque seu belo namorado (que de belo não tem nem o branco do olho) não passou em nada, só na da cidade mesmo, que é só pagar pra entrar. E sim, só para não se separar dele, ela esqueceu do seu sonho de ser médica. E tem gente que diz que o amor é lindo, para mim o amor é cego, surdo, mudo e muito burro.
Bom, é melhor eu parar de falar nisso e voltarmos aos acontecimentos presentes.
- Solução para qualquer tipo de problema... - digo, certa de que essa é uma verdade absoluta.
- Mas ele é garoto de programa!? - aff, é por essas que não suporto Brenda, ela tenta ser engraçada as custas de tudo. E fica rindo que nem uma hiena, tentando se mostrar para o Écio. Sim, a invejosa sempre morreu de amores por ele quando eu estava com ele. Para falar a verdade, todos os garotos que gostei, ela também dizia que gostava.
Resolvo não responder, e de longe avisto o Leo conversando com alguém. Dou uma desculpinha qualquer e vou até ele.
- Leooo, amor...
Não, só posso ter colado chiclete na cruz... adivinhem quem estava com o Leo...

[continua...]

sábado, 24 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 2]

Lar doce lar! Estou adorando morar em Vitória, mas de vez em quando é necessário fazer a social com meus pais. Confesso que às vezes bate aquela saudade, além do que é sempre bom não ter que comer aquela gororoba que a Sophia faz... Argh... Santo feriado prolongado!!
-Nicole, telefone para você. É a Brenda - gritou minha mãe.
Ai que saco. Brenda é minha prima. Sabe aquela prima invejosa, chata e fofoqueira que todo mundo tem e sempre evita? Brenda é uma delas. Detalhe, ela morre de amores pelo insuportável do Ricardo, mas ele nunca demonstrou o menor interesse. Credo, o veneno está escorrendo..
-Nicky que saudadeee. Me conta as novidades - ah se falsidade matasse.
-Tudo velho Brenda. Não tenho nenhuma novidade, e você?
-Como não prima? Tô sabendo que você está pegando um moreno de tirar o fôlego lá de Vitória - como assim, a Brenda já sabe do Andrey? Oh povinho sem o que fazer hein.
-Quem te falou isso? - eu mato esse boca aberta.
-Foi a Pri - Pri é a melhor amiga da Brenda, estudou comigo e...pera aí!
-Mas a Pri não ta fazendo intercâmbio na República Dominicana?
-Tá sim! - putz, minha vida virou atração internacional? Se bem que o "Créu"... - Mas e aí, vocês estão namorando?
-Estamos..quer dizer, não sei. Ah Brenda, não me faça perguntas difíceis. Estou curtindo muito o gato e isso é o que importa - e você deveria fazer o mesmo. Falta de homem + ócio = falar da pegação alheia.
-Vai na pracinha mais tarde? - pracinha = point de Alterosa.
-Vou sim. Tô com saudade do pessoal. - além do que não tem outra coisa para se fazer na minha querida Alterosa do Sul.
-Então te vejo lá prima!
Aff!! Como é difícil ser eu. Realmente, devo estar fadada aos holofotes...
[continua...]