domingo, 29 de junho de 2008

CAPíTULO NOVE - MY BAD TRIP [parte 1]

Desolação. Este é o meu nome hoje.
Não consigo pensar em nada que não me lembre que estou, ou melhor, estava namorando um amante profissional. E não venham me dizer que sou quadrada, tradicionalista e essas coisas pois, convenhamos, uma coisa é as outras pessoas passarem por isso, outra beeeem diferente é 'vocêzinha' estar nessa situação.
Me tranco em meu quarto e dou graças a Deus por estar sozinha em casa. Deusinho, o que fiz para merecer isso?! Me fala. Olha, se eu colei chiclete na cruz ou coisa do tipo em uma outra vida, podia relevar né?! Eu nem sei o que fiz ontem, como vou pagar por algo que fiz a não sei lá quantos mil anos??
Estava em meus desvaneios mais estranhos quando ouço alguém bater na porta da frente. Ah não! Chegou alguém em casa. Deve ser o Pin, volta e meia ele tem aula vaga, oh curso abençoado o dele!!! Mas esses professores não poderiam escolher um dia melhor para faltar!? Estou sem paciência para ele, sua chapinha e suas inúmeras histórias sobre pretendentes cheios de amor para lhe dar. Poxa, apesar de não gostarem da fruta, têm aquilo, e aquilo vai me lembrar aquele... vocês me entendem né?!
- Alguém em casa???
Pára tudo, é uma alucinação ou estou ouvindo a voz do Caju? Gente, não vejo ele faz uma semana. Apesar de estar um pouco preocupada, movi apenas uns músculos, mas só para tampar minha cabeça com o edredon. Não queria ver ninguém.
- Sophia? Nicky... - ouço o barulho da minha porta sendo aberta.
- Não tem ninguém Caju. - falo debaixo do cobertor.
- Ai meu Deus, são os duendes então que estão falando comigo?! Se for, apareçam!! Nunca vi duendes. - percebo pelo tom de voz excitado que ele estava falando sério. Jesus, deve tá piradão.
- Ai, Caju, não são doendes, sou eu. - coitado..
- Oi Ni. Mas que bad trip é essa??? - pergunta Caju, se aproximando. Se até chapado ele se deu conta que estou mal, é porque meu estado deve ser de calamidade pública.
- Ah, Caju. Estava namorando um amante profissional. - desabafo.
- Que manero Nicky. Mó moderno isso.
- Não é maneiro. Imagina quantos chifres devo ter? Ah, Caju... - gente, quando em estado normal eu estaria desabafando com Caju? Nunca. Não que ele não seja um bom amigo... mas perceberam que uma conversa sana é um pouco complicado aqui?
- Pode ser... mas Nicky, como diria o filho do Chico Anísio, "Toda onda uma hora acaba. E é substituída por outra. Sempre tem uma dança do créu pra substituir a dança da garrafa". Você vai sair dessa bad wave e encontrar algo melhor... apesar de não saber bem se o créu é melhor que a dança da garrafa, mas vamos esquecer isso porque já ta demais para minha cabeça. - ele falou balançando a cabeça confuso.
Depois dessa cai numa crise de riso interminável. Caju podia não ser o melhor conselheiro amoroso, mas com certeza era o mais engraçado.
[continua...]

quinta-feira, 26 de junho de 2008

CAPÍTULO OITO - DA FOSSA À REVELAÇÃO [parte 2]


- Sabe Nicky, como já dizia o velho ditado popular, "o pior cego é o que não quer ver"...
- Sabe Rickyzinho, pior que seus ditados cafonas, só sua cara de idiota.
- Idiota eu!? Acho que não... Não é minha namorada que...
- Vai, diz logo, isso se tiver algo a me dizer.
- E ganho o que dizendo?
Agora chega, está na cara que o Rick está me enrolando, e eu ainda dando trela para ele. Vou para aula de IED logo, antes que perca até a segunda chamada.
- Bye. - digo antes de sair correndo.
- Espera Ni...
Claro que não esperei. Cheguei na sala, sentei numa cadeira do fundão. Estranho né? Quando estudava em Alterosa do Sul tinha que chegar cedo para conseguir uma cadeira no fundão. Aqui, se sobrar cadeira, é só lá... o pessoal se mata por uma carteira na frente. Muito estranho...
Estava eu concentrada na aula, ou pelo menos tentando com todas as forças me concentrar e não pensar em Andrey e nas cutucadelas de Rick. Quando sinto uma bola de papel bater nas minhas costas. Olho ao redor, Andrey estava concentrado copiando algo, Quiqui estava sentada na frente, só tinha o idiota do Rick olhando para mim com aquela cara de debochado de sempre.
Pego o papel e amasso, mostrando a Rick o que ele poderia fazer com suas fofocas de quinta. Mas depois de um tempo, quando percebo Rick destraído com algo, sinto um comichão na mão e o bichinho da curiosidade me roer por dentro. Sem demora resgato o papel. Lá dizia: "Como disse antes, o pior cego é o que não quer ver. Mas se quiser se curar da cegueira, serei seu deus (como a história da bíblia) e te farei enxergar os seus galhos... Se não confia em mim, pergunta para Quiqui em que o Andrey trabalha. Beijinhos, do seu querido Rick"
Pára tudo, o que foi isso?!
O que a Quiqui sabe?!
Ou o Rick está zoando com minha cara, ou estou sendo zoada a meses, sendo feita de trouxa sem saber.
Vou esclarecer isso agora mesmo.
Pego o celular e mando uma mensagem urgente para Quiqui: "Assim que eu sair da sala, venha atrás. Super importante."
Vou desvendar esse mistério é agora.

[continua...]

terça-feira, 24 de junho de 2008

CAPÍTULO OITO - DA FOSSA À REVELAÇÃO [parte 1]

 Fafa de Belem - Abandonada por Voce


Nossa, já faz mais de uma semana que não vejo o Andrey, desde aquele dia lá na república. Sempre me dando desculpas. Quando não é trabalho é parente que se machuca. Isso cansa viu!!! Tô me sentindo um cachorro que caiu do caminhão de mudança e foi abandonado. Não, não é uma fase emo, apenas a constatação de que estou sendo jogada para escanteio.
Fiquei nessa fossa toda e acabei me atrasando para a aula de IED. Sai correndo igual uma louca, vesti a primeira roupa que encontrei e fui para a UFES rezando para que o professor mal humorado não chegasse antes de mim. Claro, porque os professores do Pin na maioria das vezes começam a aula depois do horário e os meus não?? Ahn, pequeno detalhe, esqueci de contar que ele faz Jornalismo hehe
No meio do caminho adivinhem em quem eu esbarrei, literalmente? Isso mesmo, o idiota do Ricardo. Fiquei mega irritada, como se já não bastasse estar atrasada ainda dou de cara com aquele encosto. Muito azar num só dia. Definitivamente, Murphy me ama!!!
-Você vive se jogando para cima de mim hein Nicky? - aaaah a ironia dele me deixa furiosaaaa.
-Vê se me erra Ricardo, hoje não estou com paciência!
-Que foi Nickyzinha, brigou com seu namoradinho perfeito??
-Vai pro inferno!!! - explodi de raiva.
-Calma Nicky. O que aconteceu? Finalmente você descobriu ou alguém abriu seus olhos??
-Como assim?? O que você está querendo dizer? Tá com dor de cotovelo é?
-Ai ai Nicole...
-Ai ai o que? Anda, estou esperando. O que você vai inventar dessa vez sobre o Andrey??


[continua...]

domingo, 22 de junho de 2008

CAPÍTULO SETE - NUM TÉDIO SEM REMÉDIO [parte 6]

 Paralamas do Sucesso - Lanterna dos Afogados



Fico olhando para ele na tentativa de achar um sinal de mentira. Mas a única coisa que consigo é ficar com vontade de abraçar e beijar o Andrey. Como sou fraca! Ele me dá um sorrisinho e derreto toda.
-E que autógrafo que você conseguiu para mim?
Ao lembrar do autógrafo fico vermelha, e pondero se devo contar sobre o meu mico. Com um segundo, chego a conclusão que não! Imagina como ele ficaria triste por ter magoado seu cantor preferido. Nunca.
-Do Leandro. – digo rapidamente.
-Do Leandro? Mas como, por psicografia– pergunta ele risonho.
Ai, eu de novo. Será que não consigo dizer Leonardo? Leonardo, Leonardo e mais uma vez Leonardo.
-Não, desculpa. É Leonardo.
-Você está brincando?
-Não, é sério. Está aqui – e entrego para ele o maldito papel.
Andrey olha fascinado; Percebo que o Leonardo é pra ele o que os Paralamas do Sucesso são para mim. E quase não me arrependo do mico que paguei para conseguir aquela assinatura.
-Sabe que te adoro?
E ele larga o papel e vai para cima de mim. Me beija como se não me visse há dias, se bem que isso não é tão mentira assim, afinal ficamos 55 horas 25 minutos e mais alguns segundos. Ahh, acreditou que eu tinha contado? Brincadeirinha, não sou tão psicopata assim.

[fim do capítulo sete]

sábado, 21 de junho de 2008

CAPÍTULO SETE - NUM TÉDIO SEM REMÉDIO [parte 5]

raça negra - ciume de voce

-Não. Ele só não veio porque o avô machucou a perna e foi com a família visitá-lo na roça.
-Mas está bem? O avô digo...
-Acho que sim. Mas porque veio aqui?
-Ah, o Andrey está lá na sala.
-Mas Sophia, se está lá porque não me falou antes?
-Ai Nicky, me esqueci. A história que você estava contando era tão triste... – diz ela, sonhadora como sempre.
-Pede para ele vir aqui.
Sophia sai. E logo depois Andrey entra.
-Oi amor. – me da um beijinho – como você está?
-Eh... bem. Perfeitamente bem...
-Não entrou em nenhuma enrascada na minha ausência não? – ele perguntou, brincalhão.
-Que isso. E você, não foi seduzido pela ex-namorada, não?
-A ex? ah... você ta falando da Kelly? Nicky, não tenho olhos para nenhuma outra mulher, só você. Estava com saudades.
-Mas essa Kelly, ela deu em cima de você?
-Claro que não... só fomos tomar banho de cachoeira juntos, só.
-CACHOEIRA? – me levanto brava, acho que meus piores pesadelos estavam certos. – ah, sim. Já estou vendo as cenas tórridas de romance que vocês protagonizaram. Seu safado!!! E eu preocupada em pegar aquele autógrafo para você. Idiota..
-Cenas tórridas de romance? Tá louca?
-Você mesmo disse que foi para cachoeira com ela.
-Sim, com ela, os irmãos dela, os pais dela, e os meus pais e minha irmã, com meu avô a tira colo. Por Deus!
-Você promete que não houve nem um abracinho mais caliente na água?
-Prometo, Nicky, você me conhece - olho para ele desconfiada.
-Olha, espero mesmo hein!

[continua...]

quinta-feira, 19 de junho de 2008

CAPÍTULO SETE - NUM TÉDIO SEM REMÉDIO [parte 4]

 Leandro e Leonardo - Pense em mim

-Deixa-me ver. – ela pega da minha mão e lê em voz alta. – “Obrigado pelo carinho. Leonardo.”
-Leonardo? Mas não era Leandro?
-Você o chamou de Leandro?
-Sim... ixe errei o homem. Ah, mas do mesmo jeito o Andrey vai gostar, é fã dos dois...
-Você não ta entendendo. Agora estou lembrando. – e olha mais uma vez, para o grupo dentro da loja – o tal do Leandro, era a dupla dele, mas morreu uns anos atrás. Agora que olhei melhor, me lembrei, deu o maior auê. Parece que foi câncer.
Fico vermelha. Ai que vergonha! Que insensível eu sou. Ai meu deus. Que mico.
-E está vendo aquele gatinho? O de camisa azul? – ela aponta discretamente.
-O que tem ele?
-É filho do falecido.
-Ai Deus. Que falta de tato a minha... vamos logo. Estou morrendo de vergonha.
Sai mais que rapidamente dali. Nem clima mais tenho para shopping. A vergonha me consumia.
Passei o fim de semana todo me corroendo de remorso e vergonha. Quando domingo a noite chega, estou no meu quarto deitada, ouvindo Leandro e Leonardo (me senti em dívida com eles, e comprei um cd), Sophia abre a porta, e olha para mim espantada.
-Tá doente?
-Por que?
-Sei lá, ficou para baixo todo o fim de semana, e agora ouvindo sertanejo. Logo pensei, é problema. Brigou com o Andrey?
Olho para Sophia indignada. Oras, porque agora toda vez que estou um pouco mais triste ou mais alegre, tem que ser culpa do Andrey? Será que antes de não ter um namorado eu era uma anta sem alma? Ok, estou novamente exagerando. Meu eu dramático às vezes me domina.

[continua...]

terça-feira, 17 de junho de 2008

CAPÍTULO SETE - NUM TÉDIO SEM REMÉDIO [parte 3]

Uma vez lá, fomos em todas as lojas. Comprei horrores. Sabe comprar alivia a minha tensão. Não que seja uma maníaca-compulsiva-por-compras. Mas realmente pensar em que bolsa levar, se aquele vestido ficou bom, ou se chegou novos modelos de “havaianas” para eu aumentar minha já quase centenária coleção, sempre ocupa minha mente.
Quiqui é pior que eu. Pelo menos minha tara é baratinha, já que minha coleção é das havaianas, mas Quiqui tem tara por bolsas. Dessa vez ela levou três do mesmo modelo da Puma, só que como ela mesmo disse, uma era preta (momentos básicos), outra rosa (momentos fashions) e a outra azul (para o dia-a-dia). Confesso que quase nunca entendo os devaneios dela, mas como é uma boa pessoa, eu relevo.
Quando íamos entrar na loja da Triton (ela havia visto uma bolsa, bem parecida com a da Puma que acabara de comprar, porém mais bonita) me deparo com um cara que me parece familiar.
-Oh Quiqui, aquele não é o cantor daquela dupla? Como é mesmo?
-Sei lá. – responde distraída, enquanto babava por uma bolsa verde que reluzia na prateleira a sua frente.
-Acho que Leandro.
-Deve ser. Desde quando gosta de música sertaneja?
-Não gosto. É o Andrey. Sabe, ele ama. Sua dupla favorita é Leandro e Leonardo
. Vou lá para pedir um autógrafo. Ah, ele vai amar. E quem sabe, assim ele não pensa mais na roceira ex dele...
-Roceira ex?
-Nada. Viagem minha. Vou lá ver se consigo o autógrafo.
Vou chegando sem graça. O tal cantor estava cercado por dois garotos e uma garota, deviam ser seus parentes, se pareciam muito. Pego minha agenda na bolsa e uma caneta.
-Leandro, você poderia me dar um autógrafo? É que meu namorado simplesmente ama a sua dupla.
Ele levanta os olhos para mim. Dá um risinho sem graça, e pega a agenda da minha mão. Seus acompanhantes me olham com um olhar esquisito, deviam não ter gostado da minha interrupção. Então assim que ele assina, digo um obrigado e rapidinho saio de lá.
Fora da loja, Quiqui já me esperava com uma sacola nova na mão.

[continua...]