sábado, 14 de junho de 2008

CAPÍTULO SETE - NUM TÉDIO SEM REMÉDIO [parte 1]

Ultraje í Rigor - Ciúme


Mais um fim de semana sem Andrey. Estava eu sonhando com um fim de semana calmo e aconchegante com meu namorado mas, como sempre, Murphy está agindo e como os planos que faço nunca dão certo, esse não seria exceção.
Andrey teve de viajar para a fazenda do avô, no interior, porque este resolvera dar uma de peão boiadeiro e, com isso, conseguiu quebrar a perna e ter o netinho por perto. E eu fiquei chupando dedo, é claro. A concorrência era desleal também, pow ninguém ganha de um avô com a perna fraturada.
Sei o que vão falar: que sou mimada e que não tenho nenhum pingo de solidariedade e compaixão nesse meu coraçãozinho rancoroso. Mas tenho outras coisas para informar. A ex – namoradinha de férias de Andrey, mora na fazenda mais próxima, num raio de 15 km. E está lá, a espera de meu namorado, casta, com sua roupinha brejeira e suas trancinhas, sorrindo inocente e atrativa. E eu aqui, trancada em um quarto sem poder fazer nada, sabendo que a qualquer momento meu namorado será traçado pela ex de trancinha e sardas no rosto. Imaginando cenas que envolvam Andrey se divertindo com a ex, em uma cachoeira. Os dois lá peladinhos fazendo as pazes.
Só para constar, não estou sendo nem tarada e nem exagerada, mas tenho tido pesadelos com isso, e tive que contar.
Agora é serio, tenho de arrumar algo para me divertir.

[continua...]

quinta-feira, 12 de junho de 2008

CAPÍTULO SEIS: ARRASAAAAAAA!!! [parte 4]

De Shakira a Tati Quebra Barraco, dancei como nunca, ri como nunca. E me espantei com a quantidade de deuses gregos que passavam de lá pra cá, e que não havia reparado antes.
Umas duas horas mais tarde, Pin voltou ao nosso convívio com uma cara de safado, daquelas de quem comeu e gostou, sabe?
-E aí, que gatinho hein!? – falo. Confesso que com uma pontada de inveja.
-Peguei bem, não? Já trocamos orkut, MSN e telefone, vamos marca algo pra depois! Ah Miga, acho que fui acertada pelo cupido.
-Tenho quase certeza. – digo eu sorrindo da atitude sonhadora de Pin. Pelo visto ele achava que tinha encontrado sua cara metade.
Fomos tomar uma ICE. Merecia um refresco depois de toda aquela dança.
-Pin, quando vamos? – pergunto ao olhar as horas no relógio.
-Nicky, não podemos perder o show das drags, começa daqui a 10 min, e é o ponto alto da festa. Prometo que quando acabar vamos embora.
-Show das drags?
-Isso mesmo! você tem que ver, é imperdível.
Pin tinha razão, o show foi muito bom, deu de dez a zero em qualquer show de humor que já tenha visto. Vários gays, todos travestidos, cantavam em um show muito engraçado as músicas eternas que o mundo GLS havia se apropriado. Sucessos como I will Survive , Its raining man e WMCA, dominaram o ambiente.
Só depois das cinco da manhã fomos embora. Assim que me deitei na cama, tive certeza de uma coisa. Aquela tinha sido uma das noites mais divertidas da minha vida. Diferente, louca e nada convencional.

[fim do capítulo seis.]


Veja o video do show das Drags você também:

terça-feira, 10 de junho de 2008

CAPÍTULO SEIS: ARRASAAAAAAA!!! [parte 3]

Abba - I Will Survive

Depois de alguns instantes tomando fôlego e me recuperando consigo me desencanar, levar tudo na esportiva. Volto então a me divertir na pista com a galera. Vou dançando ao som do Dj Marinho, distraída e totalmente no clima. Quando olho para o lado, e páro de dançar.
Pin estava praticamente se “comendo” com um carinha do meu lado.
-Nossa – fala Pin assim que consegue se desgrudar dos beijos do barbudo – Nicky, esse é o... – olha para carinha em dúvida.
-Brad – diz o cara barbudo, que a pouco se atracava com Pin. Meu deus, agora podendo dar uma analisada melhor no peguete do Pin, quase caio para trás. Que cara lindo, gato, e nada gay. Podia jurar que aquilo tudo era homem. Não tinha nada, nem um traço, nem um pouco de voz de biba... que tremendo desperdício, penso.
-Oi – digo desconsolada. O que o mundo feminino não estava perdendo.
-Nicky, se importa se eu for ali no sofá um pouquinho com o Brad? É para termos um pouquinho de privacidade sabe...
-Não, pode ir...
Para falar a verdade, eles nem ouviram minha resposta. Antes mesmo de eu pronunciar toda a palavra “pode”, eles já estavam no sofá se “conhecendo” melhor. Viso que o se conhecer deles era se beijar loucamente e passar as mãos por toda parte (não vou ser específica nessa questão, porque confesso ser uma experiência traumatizante).
Ainda tentando me conformar com a idéia de que aquele deus grego não chutava para gol, tento me abster de toda aquela visão torturante me juntando ao resto das pin’s e a Lu (com seu peguete). Aos poucos fui me esquecendo, ou tentando esquecer. Com minhas novas “amigas”me divirto como nunca.

[continua...]

segunda-feira, 9 de junho de 2008

CAPÍTULO SEIS: ARRASAAAAAAA!!! [parte 2]

 Raul Seixas - Rock das Aranhas


Caraca, nunca vi tanta pintosa assim reunida. Ta na cara que elas são, quer dizer, eles são, ah vocês entenderam. Eles são muito bibas, salta aos olhos a preferência deles (as), ai isso me confunde muito.
-Pin’s, essa é a Nicky. Ni, essas são as pin’s, as mais piriquetes do pedaço.- Pin faz as apresentações. – e a Lu e seu bofe, nem preciso apresentar né? Já conhecem.
Coitado do Fábio, começou a namorar a Lu há pouco tempo, e já tem de agüentar isso. O que o amor não faz por uma pessoa. Será que o Andrey faria isso por mim?! Ah, o Andrey... por que ele me larga e me deixa à mercê da Pin e seus programas? Desde Alterosa só me ferro com os programinhas dele.
Conversamos um pouco e depois fomos para a pista dançar. Caraca, as pin’s eram demais. Não me lembro da última vez que ri tanto, e meu, elas dançavam pacas, aprendi cada passinho.
Estava dançando, indo até o chão (estimulada pelas pin’s) quando sinto um toque em meu ombro. Viro-me surpresa.
-Sim?! – pergunto, olhando curiosa para a mulher que havia me cutucado.
-E ai gata, dança comigo?- sinto nessa hora meu rosto enrubescer, tanto pela proposta, quanto por ser alvo de atenção de todas as pin’s.
-Desculpa! – digo eu desconcertada- mais eu gosto de... – e puxo Pin para perto de mim, porém, a “mulher” da um sorrisinho irônico, logo entendo o “porquê”. Pin não contava como o exemplo que eu estava querendo dar, era uma biba da cabeça aos pés. – que dizer, gosto de homens, tô aqui só acompanhando meu amigo. – e aponto pro Pin.
-Bom gatinha, se mudar de idéia, tô por ai. É só me procurar. – e antes de se afastar, lança uma piscadela pra mim.
-Ui Nicky! Arrebentando corações – Lu me zoa, ao perceber meu constrangimento.
Sorrio sem graça e tento me recuperar. Afinal, não era todo o dia que eu levava uma cantada de alguém do mesmo sexo que o meu. Pensado bem, nunca tinha levado uma cantada de uma mulher, talvez seja por isso que fiquei tão impressionada.

[continua...]

domingo, 8 de junho de 2008

CAPÍTULO SEIS: ARRASAAAAAAA!!! [parte 1]


the pussy cat dolls - Don´t Cha

Nossa, essa foi uma das noites mais loucas da minha vida!
Quando Pin me ligou falando da tal boate, que ele ia sempre que dava, fiquei assim meio com o pé atrás. Uma vez que aquela não era uma boate normal, era simplesmente a CHICA CHICLETE, a boate gay mais... gay da cidade. Não me entendam mal, nunca tive preconceito com gays, lésbicas e simpatizantes. Porém, isso não quer dizer que eu não goste da fruta (entenda fruta como homem por favor). E não seria numa boate gay que eu ia encontrar a metade que eu queria. Até porque essa metade já encontrei.
Mas como os outros convites para sair não foram nem de longe empolgantes (para falar a verdade, fora essa da boate gay, só fui chamada pela Sophia para ir a uma festinha da igreja, que convenhamos, não é uma festa tão esperada) decidi embarcar em mais uma canoa furada com Pin, e Lu, que sempre arrasta seu namorado junto. Essa menina é louca, vê se num mundo como o de hoje, onde homem hetero é mercadoria cada vez mais rara, iria dar tanta chance ao azar, não é mesmo?. Tudo isso porque como sempre Andrey deu uma desculpa que tinha de visitar a avó, ou o avô, não entendi direito,
Tentamos arrastar Sophia também, mas depois do micasso passado no bar, ela tenta pagar todos os seus pecados indo todos os dias na igreja.
Bom, chegando na boate, fui logo avaliando o ambiente. É idêntica a qualquer outra boate, em tudo mesmo, tirando é claro as pessoas em volta.
-Foda, não?! – diz Pin se remexendo ao som de Pussy Cat Dolls – vem, vamos ali, avistei umas amigas minhas, as piriguetes.
Enquanto ia literalmente puxada por Pin, olho bem pras suas “amigas”.

[continua...]

quinta-feira, 5 de junho de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 5]

Reginaldo Rossi - Garçom



Visualizem a seguinte cena: uma menina que aparentemente é pura, santa e casta (não estou falando de mim, não agora) em cima da mesa de um bar lotado, com uma garrafa de vinho na mão e cantando Garçom, sim, aquela música do Reginaldo Rossi, mas que só estava tocando em sua cabeça. Bizarro né? Agora visualizem a Sophia fazendo isso. Bizarro ao cubo.
-Saibaaaa que o meu grande amorrr hoje vai se casaaar...
-Sophia desce já daí - tentei, sem sucesso, dar um jeito na situação ridícula.
-Aaaah Nicky, me deixaaaa - gritava ela
-Tá todo mundo olhando para a gente – eu insistia.
-Podem olhar, não tira pedaço.
Como diria Pin, se estivesse sóbrio também, Santa Madonna!! Que vinho é esse?? Deixou a coitada pior do que eu na fatídica calourada. Se bem que...não, não vamos exagerar né.
-E pra matar a tristeza só mesaaaa de barrr...
-Sai daí chifrudaaa – disse uma mulher que estava na mesa ao lado.
-Volta pro mar oferenda – gritou um cara que passava na rua.
-Agora chega Sophia. Desce! - finalmente Léo decidiu pôr ordem no galinheiro. Pegou Sophia pela cintura e a colocou no chão.
-Vamos para casa porque isso aqui já deu o que tinha de dar – disse Caju, tentando disfarçar, mas estava adorando a situação.
Pagamos a conta e fomos direto para casa. Enquanto Sophia vomitava até a alma, Pin dava seus ataques histéricos de nojo, Caju dormia debruçado na mesa e Léo contava o ocorrido para Lu. Nickyzinha aqui, como sempre, se absteve e foi para o quarto assistir filme. Afinal, quem sou eu para falar do porre alheio!

[fim do quinto capítulo]

terça-feira, 3 de junho de 2008

CAPÍTULO CINCO – RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 4]

-Sophia, você precisa relaxar. Ficar se enchendo de sorvete com essa trilha sonora nada agradável só vai te deixar deprê e com alguns quilinhos a mais. Você vai sair com a galera hoje e não aceito desculpas.
-Não sei Nicky...
-Já disse, você vai e pronto! - nada autoritária né?
Aquela menina vive enfiada em casa. Quando não está estudando, está naquele computador. Agora entendo o motivo de horas a fio na internet...
Depois de muito insistir consegui tirá-la da cama. Fomos eu, ela, Pin, Léo e Caju para um barzinho aqui mesmo em Jardim da Penha. Logo que chegou, Pin pediu uma espanhola. Calma, mentes impuras. A espanhola que estou falando é uma batida de vinho, leite condensado, abacaxi e gelo picado. Alguns colocam creme de leite também. Eu, Léo e caju ficamos na cerveja mesmo. Como diz Léo, batida é coisa de fruta. Já Sophia, se contentava com um copinho sem graça de guaraná. Cerveja vai, fruta vem...
-Sophia, vai ficar nesse guaranazinho? - disse Pin, meio tonto de tanto beber fruta adulterada.
-Não estou acostumada a beber – não sabe o que está perdendo né não pinguçada?
-Ah Sophia, um golinho não vai fazer mal – encoraja Léo.
-Isso mesmo, além do mais beber cura dor de corno - putz, que comentário mais infeliz esse do Caju. Já disse para vocês que Léo e Caju são dois espíritos de porco? Pois é, eles são. Tanto encheram a pobre da Sophia que, como por um milagre, a convenceram de enfiar o pé na jaca.
-Já que não vou poder ter meus 4 filhos e morar na casa azul, me dá isso aqui – e Sophia tomou o copo das mãos de Pin, que a essa altura havia abandonado a batida e estava bebendo apenas vinho.
Nunca imaginei ver essa cena. Sophia bebia como se fosse água. Parecia estar possuída por Dionísio. Isso porque não estava acostumada a beber né? Sempre soube que essas meninas que fazem o estilo “santinha” são as piores.
Preciso dizer que isso não prestou?

[continua...]