sexta-feira, 30 de maio de 2008

CAPÍTULO CINCO - RELACIONAMENTOS COMPLEXOS [parte 1]

Depois daquele pesadelo que passei em Alterosa no feriadão, só mesmo uma tardezinha com Andrey, meu morenão bonitão, para relaxar. E onde fomos? No cinema, lógico. Isso não é um típico programa de namorados apaixonados??
-Qual filme você quer ver Nicky? - ele não é um fofo?
-Vamos ver O Melhor Amigo da Noiva?
Mesmo não parecendo muito satisfeito, ele aceitou. Claro, ele me ama! Ok, ok, estou demais hoje, mas é muita felicidade para esse pequeno coraçãozinho.
O cinema não estava cheio. Melho assim! Menor a probabilidade de ter alguém lá de Alterosa vigiando e empatando a minha vida. Enquanto matava a saudade do meu gato ouço alguém gritar meu nome.
-Nicoleeee - conheço essa voz - Você sumiu mulher! Desde a calourada que não te vejo...
-Quitéria? - sim, eu a reconheci, só não reconheci o broto que estava de mãos dadas com ela. Até onde eu sei, ou melhor, sabia, Quiqui estava namorando, mas não com ele...
-Nicky, esse é o Marcelo. Ele está revezando com o Pedro.
Acho que pela minha expressão ela percebeu que eu não tinha entendido a situação.
-Isso mesmo amiga. Nunca ouviu falar em relacionamento aberto? Viva o século XXI!!
-Mas o Pedro sabe? - perguntei, incrédula.
-Claro que sabe. E também usufrui dos benefícios.
-Então tá - meu Deus, ela é moderna demais para uma menina pura e casta como eu!! Já disse, não riam, é apenas a verdade.
Enquanto me refazia do choque, as luzes do cinema apagaram e a pegação começou. Quiqui quase engoliu o Pedro, que estava do meu lado. Eu e Andrey não perdemos tempo. Claro que fui mais contida do que o casal desentupidor ao lado. Mas confesso que me recordo vagamente do filme em questão. Vocês não sabem o que é ficar 5 dias longe de um namorado TDB+1P como o meu. Homem como ele está em falta no mercado. Ou já foi consumido ou está na prateleira destinada ao público pink, se é que vocês me entendem...
Depois do cinema, Quiqui e Pedro deram uma esticada sabe Deus para onde. Andrey e eu não pudemos acompanhar, já que ele tinha que ir trabalhar. Afinal, meu moreno é responsável, o genro que mamãe pediu!!
Linda, ruiva e modesta, cheguei em casa. Ao me aproximar do meu quarto, eufórica com minha tarde mara, como diria Pin, me deparo com uma cena broxante, digna de um dramalhão mexicano...

[continua...]

terça-feira, 27 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 4]

-Amor é? - é impressão minha ou ouvi um risinho sarcástico do Rick...
-Léo, depois falo com você!
-Ah, ela tem que ir embora para não me agarrar. Sou mesmo irresistível.
-Ai, ai Tigrão - zoa Léo, enquanto eu, perplexa, tento pensar em algo a altura para responder.
-Meu filho, não se dê tanta importância. E Léo, não se iluda muito não porque isso está mais para gatinho manhoso do que para Tigrão!!
-Mas há quem morra de amores pelo "gatinho" aqui.
Aff, nunca conheci alguém que se achasse tanto a última coca-cola do deserto quanto o Rick.
-Ah garoto, me erra! Olha o tipo de garota que gosta de você.
-Modéstia a parte, são todos os tipos. Você sabe bem o que é isso, não?
Meu passado me condena. Argh! Porque tive de ter tanto mal gosto quando mais nova?
-Pelo menos recuperei minha sanidade, e agora sei o que é bom...
-Seu namoradinho né? Nossa, quanta sorte você tem...
-Tenho mesmo. Não entendi a sua ironia.
-Aproveite que tá de graça!
Do que ele está falando? O idiota não tem nada para falar e fica inventando bobeiras.
-Quer saber? Você me cansa. Você e esse seu gelzinho brega no cabelo.
-Mas confessa que você adora...
Do nada ele me agarra e começa a gritar:
-Me solta Nicky. Seu namorado não vai gostar disso. E ele é tão fiel. Ah Nicky...
Nem preciso dizer que estava estourando de raiva né? O idiota me agarrava e eu que ficava com fama de tarada?! Só depois de segundos intermináveis de espetáculo ele me soltou, caindo na risada.
-Seu..Seu... - não conseguia nem falar de tanta raiva.
-Seu cara lindo, gostoso e irresistível! Ah Nicky, não precisa falar...
-Não! Seu pervertido...
-Meu amor, fica tranquila. Poderíamos conversar com o Andrey e assumir o nosso amor.
-Pára de brincadeira idiota! Olha o mico que pagamos. O que vão pensar...
-Ah Nicky, relaxa! Estava só implicando com você.
-Quando for implicar com alguém, faça com sua mãe.
E saí, mas não sem antes complementar:
-E não se compare com o Andrey porque vai perder de lavada.
E depois fui para a casa. Acho que Alterosa já tem assunto para falar de mim até minha próxima "visita".
[fim do quarto capítulo.]

domingo, 25 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 3]

Bom, não deu outra. Chegamos na maldita pracinha e vi as pessoas de sempre. E quer saber, foi até legal!
Tinha um tempão que eu não via a Ju, a Val, o Duda, a Nice, o Écio (um antigo peguete meu, como diria a famosa comunidade do orkut ahhh se essa pracinha falasse).
Devaneios a parte, agora que sou uma menina da cidade fico tentada a pedir uma skol gelada, como fazemos no bar do mãozinha todas as sextas, mas ao olhar para meus velhos conhecidos e pro seu Jão Birita, dono do bar mais "in" e único da pracinha, perco a coragem. Afinal, o cara me viu crescer, sempre pedia um chiclete da barbie para guardar as figurinhas, não podia chegar agora e pedir uma "gelada"!
- Écio, você sabia que a Nicky está de namorado na cidade grande?! - a bocuda da Brenda está encalhada mesmo, poxa, precisa contar minha vida amorosa para todos daqui!?
- Sério Nicky, e quem é o sortudo? Espero que esse tenha mais sorte que eu. - aí vem ele agora com esse recentimento ultrapassado, jogar toda a sua amargura em mim. Só porque terminei com ele na frente de todos, no meio da dancinha de festa junina. Quanto rancor uma pessoa pode guardar em apenas um coração...
- E como é ele Nicky? - bom, essas garotas estão afim mesmo de saber da minha vida, não é?! Então vamos lá...
- Bom, ele é um gato! Moreno, alto, bonito e sensual... igualzinho aquela música.
- Então ele é solução de todos os seus problemas?! - Val pergunta risonha.
Ah, a Valéria! Gente, tenho de contar a triste história dela. Menina inteligente ela, passou em todas as federais possíveis pra Medicina, até na USP, e não te conto porque ela acabou na Faculdade Alterosa do Sul, no curso de enfermagem. Ah eu vou contar, tenho que dividir minha indignação. Val ficou na cidade, na faculdade meia boca, porque seu belo namorado (que de belo não tem nem o branco do olho) não passou em nada, só na da cidade mesmo, que é só pagar pra entrar. E sim, só para não se separar dele, ela esqueceu do seu sonho de ser médica. E tem gente que diz que o amor é lindo, para mim o amor é cego, surdo, mudo e muito burro.
Bom, é melhor eu parar de falar nisso e voltarmos aos acontecimentos presentes.
- Solução para qualquer tipo de problema... - digo, certa de que essa é uma verdade absoluta.
- Mas ele é garoto de programa!? - aff, é por essas que não suporto Brenda, ela tenta ser engraçada as custas de tudo. E fica rindo que nem uma hiena, tentando se mostrar para o Écio. Sim, a invejosa sempre morreu de amores por ele quando eu estava com ele. Para falar a verdade, todos os garotos que gostei, ela também dizia que gostava.
Resolvo não responder, e de longe avisto o Leo conversando com alguém. Dou uma desculpinha qualquer e vou até ele.
- Leooo, amor...
Não, só posso ter colado chiclete na cruz... adivinhem quem estava com o Leo...

[continua...]

sábado, 24 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 2]

Lar doce lar! Estou adorando morar em Vitória, mas de vez em quando é necessário fazer a social com meus pais. Confesso que às vezes bate aquela saudade, além do que é sempre bom não ter que comer aquela gororoba que a Sophia faz... Argh... Santo feriado prolongado!!
-Nicole, telefone para você. É a Brenda - gritou minha mãe.
Ai que saco. Brenda é minha prima. Sabe aquela prima invejosa, chata e fofoqueira que todo mundo tem e sempre evita? Brenda é uma delas. Detalhe, ela morre de amores pelo insuportável do Ricardo, mas ele nunca demonstrou o menor interesse. Credo, o veneno está escorrendo..
-Nicky que saudadeee. Me conta as novidades - ah se falsidade matasse.
-Tudo velho Brenda. Não tenho nenhuma novidade, e você?
-Como não prima? Tô sabendo que você está pegando um moreno de tirar o fôlego lá de Vitória - como assim, a Brenda já sabe do Andrey? Oh povinho sem o que fazer hein.
-Quem te falou isso? - eu mato esse boca aberta.
-Foi a Pri - Pri é a melhor amiga da Brenda, estudou comigo e...pera aí!
-Mas a Pri não ta fazendo intercâmbio na República Dominicana?
-Tá sim! - putz, minha vida virou atração internacional? Se bem que o "Créu"... - Mas e aí, vocês estão namorando?
-Estamos..quer dizer, não sei. Ah Brenda, não me faça perguntas difíceis. Estou curtindo muito o gato e isso é o que importa - e você deveria fazer o mesmo. Falta de homem + ócio = falar da pegação alheia.
-Vai na pracinha mais tarde? - pracinha = point de Alterosa.
-Vou sim. Tô com saudade do pessoal. - além do que não tem outra coisa para se fazer na minha querida Alterosa do Sul.
-Então te vejo lá prima!
Aff!! Como é difícil ser eu. Realmente, devo estar fadada aos holofotes...
[continua...]

quinta-feira, 22 de maio de 2008

CAPÍTULO QUATRO – DE VOLTA ÀS ORIGENS [parte 1]



Ah, o feriado! Dias de descanso, paz e ócio. A única coisa triste é que vou ter de voltar para Alterosa. Não que eu não sinta saudades dos meus pais e até mesmo das pestes dos meus irmãos, mas deixar meu gatinho aqui, ah não contei né?! Eu e Andrey estamos... ah não sei o que estamos, mas estou beijando ele quase todos os dias, e isso deve significar alguma coisa.
- Cadê minha chapinhaaaa? Se ela não aparecer ninguém sai dessa casa!! – Pin grita desesperado. Um dia ele ainda vai ficar careca!!
-Tá comigo. A minha sofreu um pequeno acidente mas já te devolvo. – o que a Lu chamou de pequeno acidente quase incendiou nossa querida república.
-Então anda logooo. Não posso voltar para Alterosa nesse estado.
Me abstenho de toda essa confusão e vou para meus aposentos arrumar minhas coisas. Quando me aproximo do meu quarto vejo uma cena que me deixou no mínimo curiosa: várias folhas com corações desenhados estavam por toda a parte. Por acaso, como quem não quer nada, pego uma. Não que eu esteja interessada na vida alheia, mas aquilo era realmente estranho. O que corações e folhas estavam fazendo naquele lugar?
Me amarrota que eu estou passada. Eram e-mails amorosos e... digamos... esquisitos!! Para vocês terem uma pequena noção, leiam isso:

“A noite, quando vejo a luz pálida da lua, em meu coração bate uma tristeza por você não estar ao meu lado.”

“Quando penso em você lágrimas de tristeza brotam em minha face. Quero você aqui, bem perto de mim.”

“Meu amor, seu olhar me deslumbra e quando seu sorrir meu mundo se ilumina”

“Princesinha, preciso olhar em seus olhos, ver seu sorriso ao menos uma única vez. Não suporto mais a falta que você me faz”

Acharam bizarro? Vocês ainda não viram nada. De onde saíram esses tem muito mais!!
Estava me divertindo horrores quando alguém entra no quarto e toma aquelas singelas declarações de minhas mãos.
-O que você pensa que está fazendo? – gente, nunca vi a Sophia levantar a voz daquele jeito. Ela juntou suas coisas e, por incrível que pareça, voltou para Alterosa no carro da Lu.

[continua..]

terça-feira, 20 de maio de 2008

CAPÍTULO TRÊS - "PIRIGUETIANDO" COM CLASSE [parte 5]

Minha bolsa não estava lá! Sim, estava na praia sem bolsa, sem celular, sem dinheiro, sem carro, sem nada! Vou andando para ver se acho um raio de um táxi, mas nada. Só na beira do calçadão da praia avisto algum. Esperei que ele aceitasse receber quando chegasse em casa. Lá em Alterosa o seu Lorival, taxista da cidade, sempre aceitava esses acordos, mas aqui não é como Alterosa, as pessoas não confiam umas nas outras.
Rezando, me aproximei do táxi. O motorista estava dormindo dentro do carro. Me inclino e bato no vidro, e depois de um tempo consigo acordar o homem. Inclino-me para falar com ele.
-Será que senhor poderia... – sinto um tapa na bunda – que porra é essa? – grito fula da vida.
-Ei, ei... – ouço alguém num carro à frente gritar. Olho para um lado, para o outro e aponto para mim – você mesmo. GOSTOSA!
-Moço, onde estamos??? – olho assustado para o motorista, que acabava de acordar.
- É um ponto de prostituição. Olha menina, não carrego esse tipo de profissional, não para fazer trabalhos. Minha religião não permite compactuar com essas perdições mundanas.
Olho melhor em volta e vejo espalhadas pelo calçadão um monte de profissionais do sexo, vestidas muito vulgarmente, que inclinadas conversavam com um cara dentro do carro.
-Jesus!! Moço, você precisa me levar. Olha, em casa te pago, juro! Mamãe me mata se sonhar que sou piranha, digo, que eu fui confundida com uma. Fico de castigo sem sair de casa até meus 50 anos se ela descobrir que andei num lugar desses.
-E com razão. Essas jovens de hoje... Entre no carro. – entrei rapidamente.
E então, voltei para a casa. No táxi fui quase evangelizada pelo taxista, que me contava sobre o apocalipse e recomendava mais decoro da minha parte, dizendo que os prazeres do mundo eram pecaminosos e que só levavam à degradação da humanidade. Fiquei calada, não queria questionar ninguém, só amaldiçoava em silêncio Andrey por ter me deixado passar por aquilo.
[fim do terceiro capítulo]

domingo, 18 de maio de 2008

CAPÍTULO TRÊS - "PIRIGUETIANDO" COM CLASSE [parte 4]

Meu deus, estou sonhando acordada. Nunca sai com caras assim, ele faz tudo parecer tão lindo, é tão mágico estar com ele... ai, parei! Estou parecendo uma mocinha da roça deslumbrada, né? Mas quer saber, não ligo, sou da roça e estou mais que deslumbrada com esse gato.
- Nicole... – com um esforço danado, tento tirar meus olhos daquele sorriso lindo que ele me dá e presto atenção no que ele fala.
- Me chame de Nicky. Meus amigos só me chamam assim...
- Amigos??? – ai, ele está me olhando com uma cara de decepcionado. O que eu fiz? – pensei que seríamos algo mais.
Pára tudo!? Estou enganada ou ele agora soltou a indireta mais direta que já me deram? O que respondo???
- Podemos ser o que você quiser. – digo, no meu melhor estilo piriguete.
- Sendo assim...
Gente nada mais precisa ser dito. Ele se aproximou de mim e me deu um beijo daqueles, estou desfalecendo só de lembrar. É, virei uma manteiga derretida! Porém no meio desse beijo sinto algo vibrar, não pensei coisa feia, era apenas o importuno celular dele tocando.
- Espere Nicky. – ele me disse antes de sair da mesa para atender.
Fiquei observando ele de longe, como é lindo, já disse isso né?! Mas essa carinha de sexy que ele faz, essa carinha de safado, mas todo carinho... espera aí, por que ele está fazendo carinha de safado conversando ao telefone? Será que... não! Um tempo depois ele voltou.
- E ai!? – perguntei.
- Nicky, tenho uma má notícia! – não parecia ser notícia ruim que ele estava recebendo, não fazendo aquela cara.
- O que aconteceu?
- Pintou um trabalho de última hora e...
- A essa hora!?
- É... – ele parou um pouquinho e continuou – tenho de ir. Olha fique aqui, espere o jantar. Já vou deixar pago. – ia protestar, mas ele não deixou. – é o mínimo que posso fazer para você. Vou indo, depois pega um táxi, toma o din...
- Não, o táxi é para mim, eu pago.
- Se faz questão... bom vou indo, nos vemos. Desculpa Nicky, são os ossos do ofício.
- Não, tudo bem.
Ele me deu um selinho sem graça e se foi.
Eu fiquei lá, comendo sozinha, comendo não, mexendo com a comida de um lado para o outro. Não tinha fome, não depois dessa saída mais que suspeita dele. Meia hora depois de ficar lá sozinha, rodeada de casaizinhos felizes, resolvo ir embora.
Quando vou pegar minha bolsa para sair, tenho uma surpresa bem desagradável.

[continua...]